segunda-feira, 8 de julho de 2013

... Mas não entrarei em teu território.
Cada um com suas próprias terras.
Eu quero te dizer o quanto ando vagando,
Por terras minhas.

São minhas as terras que percorremos
Ainda ontem, ainda nus,
Ainda inebriados pelos nossos sorrisos,
Naqueles instantes seguros,
Marcados pela luz viva, vinda de nosso olhar.

Se não nos importamos o quão fugazes,
São esses instantes...

Vem da intensidade dessas sensações
A vontade vil, sem espera.

Como um amor sem chegada,
Sem estadia, sem partida...

Apenas uma fuga da realidade árdua em que se vive,
Àqueles que pensam ser inumes,
Ao cárcere dos sentimentos humanos.

Tolice tua não permitires que meu abraço
Seja o teu lugar.

Se já avistei, tantas vezes,
Quando abrias mão de punhados,
De terras minhas, que eu te dava...

Por que tu nunca me roubaste, sequer um grão?
A fim de aumentar a tua ilha chamada,

Solidão...      

sexta-feira, 21 de junho de 2013

PÁTRIA AMADA


(por Maria Monteiro)
Vamos lá! Não gosta de discutir política, mas foi ao protesto porque é bonitinho? Nunca assistiu a TV Senado, porque acha um saco, além de não entender patavinas sobre termos políticos, e agora anda posando de intelectual, execrando os jogadores de futebol, porque eles falaram duas ou três palavras “descontraídas” para amenizar os ânimos? Queria o quê? Que os reis “Pelé e Ronaldo” tivessem pronunciamentos políticos formais, sobre as injustiças que a plebe vem sofrendo? Esqueceu que durante todo esse tempo, fizemos do Brasil, o país do futebol? Fala mal da rede Globo, mas adora a novela das nove? Reivindica melhores serviços públicos nas escolas, nos hospitais, mas se nega a prestar serviços “solidários” em pró dos mais necessitados? Quer que melhore a qualidade dos transportes “coletivos urbanos”, mas quebrou a janela do ônibus no último carnaval? Anda fantasiando que uma bomba, em Brasília, resolveria todos os nossos problemas, porque acha que os protestos, que estão acontecendo por aqui, tomarão rumo sem que haja partido político à frente? Acha que a partir de agora, o povo vai administrar o país, nosso sistema de governo será a Anarquia e vamos instituir o dia 20 de junho, nosso mais novo feriado “O DIA DO PROTESTO”? Daí, a luta se encerra e você volta pra casa, liga a TV e constata que a violência e injustiça continuam... “Um, dois, três, quatro”, ainda não foi você...


Perdoem-me, irmãos brasileiros, também quero defender a nossa PÁTRIA; a que nos pariu...
Há muita vaidade por nossa terra, e pouca honra aos que cuidam dela. Há força no nosso grito, mas falta clareza na nossa voz. Muitos ouvem o barulho da chuva, nos centros urbanos, poucos escutam o silêncio da seca no interior. Muitos desperdiçam comida nos restaurantes e deixam de doar alimentos aos que têm fome. Poucos se importam com as crianças sujas no sinal, ou com os sonhos dos jovens “ainda” analfabetos. Muitos apoiam nossa meritocracia que mata a dignidade daqueles que exercem profissões braçais... Poucos doam lugar aos idosos, apenas porque são gentis. Quase ninguém oferece SOLIDARIEDADE, sem adorno a si.

Se o gigante acordou... Ta na hora de encarar os vários problemas sociais que se formaram enquanto ele dormia. Porque GRITO, é sinal de alerta, mas transformações, só com mudança de atitude, e não adianta pensar que o problema é exclusivo dos políticos, afinal somos participantes efetivos dessa República...
Quer mudar o Brasil? Comece por você!

domingo, 16 de junho de 2013

“QUE COISA LINDA, É UMA PARTIDA DE FUTEBOL” (por Maria Monteiro)




[...] Que coisa linda, é uma partida de futebol. Posso morrer pelo meu time. Se ele perder, que dor, imenso crime. Posso chorar se ele não ganhar. Mas se ele ganha, não adianta. Não há garganta que não pare de berrar... (Samuel Rosa e Nando Reis)
Ontem, nossa presidenta Dilma Rousseff, foi vaiada na abertura da copa das confederações. Justo numa partida de futebol. Pergunto-me se as vaias foram para a organização desse evento, ou se elas têm a ver com o caos do nosso atual governo? Isso me fez lembrar, um famoso evento do qual participei em minha adolescência, o IMPEACHMENT DE COLLOR.
– Era 25 de agosto do ano de 1992, voltava da escola cedo; naquele dia não houve aula. Eu já estava vestida de preto a pedido dos meios de comunicação, que na época não se estendia a internet. As notícias não eram tão velozes como hoje são, mas o povo brasileiro estava animado, teve trio elétrico na Av. Boa Viagem, houve festa pelos quatro cantos do país. O negócio foi muito bem organizado, tinha até policial fazendo segurança do evento. Lembro-me de ter pintado o rosto com as cores da bandeira brasileira e de ter cantado “QUERO COLLOR, FORA DO BRASIL” tudo isso, aos berros, pelas ruas de um bairro na zona sul do Recife. Eu e meus amigos fizemos a nossa marcha por aqui, somando nossa voz a um único grito brasileiro: FORA COLLOR! O povo parecia bastante determinado, haviam manifestações por todo o Brasil. O que valeria dizer: que a união do povo brasileiro faria, enfim a força, sem a qual a câmara dos deputados “não abriria” processo de impeachment do então presidente Fernando Collor. Desse modo, eles poderiam argumentar de forma “democrática” o descarte de um presidente corrupto que já não atendia as expectativas e roubava seu povo. O plano deu certo, de lá pra cá, já se passaram quase 21 anos; cresci como a maioria dos jovens de minha época os “CARAS-PINTADAS”, com a sensação de aquele grito ter sido escutado. 
A mim, a lembrança desse fato não advém da disposição de manifestações sociais que retratem o apelo de um povo, embora as vaias à nossa atual presidenta Dilma, não tenha sido fruto da manipulação de nossa política, inclusive à ocasião propícia, “em meio a uma partida de futebol”, não fiquemos pois, orgulhosos, confundido nossa má educação com protestos efetivamente justos, que levantam bandeiras em pró de causas fundamentais e que favorecem, de fato, o povo brasileiro. Um proveito, entretanto, se impõe: mostra-se que já não somos mais manipulados, tampouco estamos preocupados em dar a entender ao mundo que estamos satisfeitos com as injustiças que andam acontecendo por aqui. A vaia foi válida, mas ainda não admitimos que temos voz! Contrária ao grito FORA COLLOR, no quesito espontaneidade, surpreendemos nossos políticos e alguns veículos da impressa, que aliás andam fazendo vista grossa, fingindo não entender bem o que essa e as ultimas manifestações tentam retratar. Vivemos dias de caos. Há revoltas por todos os lados, já temos motivos suficientes para acreditar que uma guerra está em cursor. 
E o que vamos fazer para mudar, e melhorar o Brasil? Execrar o nosso atual governo? Acreditar que vamos conquistar a melhoria dos serviços prestados à nossa sociedade, por meios de “paralisações e depredações” dos mesmos? Temos aí dois planos que não passam de ilusão! 
A nossa “falta de educação” e nossa “má educação”, respectivamente nessa ordem, não nos permitem reconhecer como lutar por direitos, nem sobreviver com os direitos já conquistados. Se não fosse essa, a instrução que recebemos há tempos, sob dias com poucos recursos de informação, poderíamos hoje assumir sozinhos a culpa desse lindo caos, chamado Brasil! Em contraparte, se consideramos que a culpa é parcelada, fica fácil para uns sentar e não fazer nada, enquanto torna-se cada vez mais difícil para outros, lutar de maneira feroz e levar “chumbo”. Que tal zerar as parcelas, não culpar ninguém pela falta de pagamentos das mesmas e perdoar a dívida? 
Muitos, eu disse: muitos brasileiros têm acesso a informações; ainda ouso dizer também que são muitos aqueles que têm a consciência ética correta de seus direitos, deveres e irresponsabilidades. Não quero ver o meu país em guerra contra si mesmo, essa guerra violenta contra o governo, traduz a nossa incompetência enquanto cidadãos participantes de uma democracia que utiliza o VOTO para escolher seus representantes. Parece que esquecemos quando, na última eleição, o nosso Ex Presidente Lula jogou a bola para Dilma, e a grande maioria dos brasileiros confiou nela de olhos fechados, tornando-a nossa atual presidenta... Não estaria, portanto, na hora de promover um conhecimento político capaz de fazer a nação entender a FORÇA DE MUDANÇA que há, numa eleição?      

terça-feira, 7 de maio de 2013

Tomate Neles...

Por Maria Monteiro
...Porque no Brasil os homossexuais, e os tomates, e Eu... Eu me pergunto: por que nasci Bissexual? Por quê? Eu bem que podia ser homossexual, apenas... E você deve estar se perguntando: por que você não nasceu heterossexual? Por quê? Você bem que podia ser NORMAL, apenas... E os tomates? Por que estão “pela hora da morte?” Se eles nascem na roça, ou num quintal qualquer? E por quê? Por que eles nascem verdes e quando ficam maduros, tornam-se vermelhos? Se é “o verde” do sinal de trânsito que nos indica quando podemos avançar à partida? Por que não plantamos nossos tomates? Por que não colhemos tomates maduros, vermelhos como todo sangue... Por que não os jogamos na “cara” do preconceito e de toda essa falta de respeito uns com os outros?
E por que você ainda está se perguntando se é mesmo verdade... Se essa que vos escreve, disse mesmo ter nascido BISSEXUAL? Ora, se no Brasil HOMOSSEXUAL tem se tornado um novo gênero e os tomates a cada dia mais valiosos... Qual a melhor bobagem – ou verdade – vos interessa?

CHAMA-(se) AMOR

Por Maria Monteiro

Embora meu café tenha esfriado não me apercebi das horas que se passaram, e como prova de minha indulgência lamentei o desperdício do pó e do tempo que perdi. Durou uma esfriada de café, se bem que o café, já frio, pode estar ali em descanso há dias... Que diferença faz o tempo, se já se faz frio? Morno; quente; isso importa mesmo ao café, ou a mim? As temperaturas não dependem da gente, não é mesmo? Eu me aqueço, fervo... Por uma chama. Chama-se: AMOR! Não é a mesma que faz do café quente; essa é mais ardente, queima! E de tão insistente que é, essa chama que me aquece chega a torrar a minha paciência, quando penso que será reduzida a cinzas, ela consegue com pequenas fricções espalhar faíscas...
Minha cabeça anda a mil: cafeína; Renato; AMOR; desamor; Beirut; suco de uva; busca do pote de ouro no fim do arco-íris; insônia; olheiras; sombra; luz; uma imensa vontade de voar de asa-delta; a literalidade do jornal da meia noite – às boas notícias do mundo que não chegam -; E eu, que não viro notícia!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

domingo, 28 de outubro de 2012

Eu escolhi a nossa trilha sonora (quero que você saiba).





A vida como nos filmes, caso assim fosse, ao contrário disso que sucede na vida real, possivelmente teríamos um final feliz. À beira da praia, lançaríamos pedras ao mar e seria essa nossa única competição – quem de nós dois, conseguiria arremessar “as pedras” mais longe –, e depois de nos livrar “das pedras”, dançaríamos abraçados ao som da nossa música – dos instrumentos harmônicos de nossos sentimentos, e letra que nos emociona ao lembrar a nossa história – daríamos as mãos emocionados, sob um céu alaranjado e sobre o céu alaranjado estaria escrito “FELIZES PARA SEMPRE!” Sabe, de uma coisa? Antigamente, eu acreditava apenas em “nosso encontro” hoje eu acredito em “nossa despedida” porque eu avistei você guardando “as pedras” que deveriam ser lançadas... Vi que você preparou uma jangada a fim de enfrentar sozinho – como quem abandona a si mesmo –  o mar alvoroçado de ilusões. E se eu dissesse que não “ERA” pra ser “ESSE” o nosso fim... Eu sei, você também concordaria comigo! É, talvez você seja mestre naquela lição que me ensinou na primeira vez em que te vi – Lembra? Aquela da despedida?! – “TODOS OS DIAS DIZEMOS ADEUS”. De acordo com os seus ensinamentos todos os dias, eu devo valorizar aqueles que amo e jamais morrer de lamentações. Quanto “a despedida” eu apenas não soube “esquecer o caminho de casa e não chorar a cada anoitecer”... Mas, eu não sei se eu quero ser assim, igual a você – Forte! – mesmo que doa, mesmo que sangre, como na morte – Conformado! – Então eu devo aplaudir a você, que me ensinou “sem medo” como se morre todos os dias... Enquanto isso, eu espero lhe ensinar a lição “TODOS OS DIAS DIZEMOS ATÉ LOGO”. De acordo com os meus ensinamentos, todos os dias, você deverá lembrar-se de si mesmo e jamais matar alguém por um entusiasmo. Quanto “a volta” você tem apenas de “lembrar o caminho de casa e sorrir a cada amanhecer”... Mas eu não sei se você quer ser assim, igual a mim – Feliz! – mesmo que doa, mesmo que sangre, como na vida – Alegre!  – Então, espero que um dia eu possa ouvir o som de seus aplausos por eu poder lhe ensinar “com medo” como se vive todos os dias...
E desse filme, eu já sei qual a trilha sonora!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Além do Poeta

Outro dia quis escrever um poema sobre a grandeza do amor. Achava ousadia dedilhar em meus versos curtos o seu encanto, se nas emendas dos recortes, sequer seu contorno, sequer seu revestimento, quase nada, fazia juz, ao seu aspecto majestoso. – Mesmo assim o fiz. Sobre o vão da sala, quase em silencio, recitei um verso simples [...] O amor dói  “em seguida” expulsei o “Eu lírico” mandei-o embora. – Como ousa, em alusão, dar tal sentido àquele que remonto? – Ajoelhei-me no chão, à mesma sala, como se tivesse palavras próprias a reunir, como se quisesse ser além do poeta; revestindo-me de soberania, declamei meu protesto [...] Revê a alegria que se teve/ tão só à dor deste instante/ penso, melhor “sinto” não é o amor imune ao desalento/ tampouco dois corpos ungidos de glória. – Remonto o amor com a legitimidade de quem o vive –  “Aquele que anseio/ embora pungente/ apraz-me em sua presença/ recusando-o eu morria.” – E, procurando adorno ao ato de deitar com outros corpos recitei – Que venham os dias de solidão/ ao corpo nu e acompanhado/ no prazer da carne... Que venham, para alimentar ilusões... – Qual “intenção” tem o poeta? Externar sem extrair? Eles parecem colecionar sentimentos; transformando tudo em palavras. Eu me pergunto: como contextualizar a luz, se além de um clarão, pode-se ater a ela, também, uma fagulha?  Diz-se pouco de uma luz, considerando literalmente, seu efeito no aquém-escuro que antes se encontrava. Desse modo, admiro os poetas em suas definições harmônicas e imputáveis acerca de sentimentos e de coisas em “seus efeitos e sensações”.  – Devo logo dizer que não sou poeta, alguns poemas que já ousei escrever não passaram de dez linhas – pode-se dizer que sei fazer versos curtos, tão curtos quanto os instantes em que me permito senti-los. A mim, não é tarefa difícil falar de sentimentos, no entanto, quanto a este ato, quase não há empirismo; prefiro recorrer à ficção. Tendo eu uma mente literária, inventei personagens, e em meu mundo tudo parece ter vida. Não é raro me pego falando com criaturas inanimadas de algumas fábulas que criei. Mas confesso sentir inveja dos poetas, dada a maneira como eles usam alusões aquilo que sentem. O que mais me atrai em reflexões poéticas é o adorno, o rebuscamento que se tem para falar de coisas tão simples. Não adianta dizer que o ser poeta é um ser simples, que isso não me convence. Daí talvez se dê o meu distanciamento a esse título.

domingo, 7 de outubro de 2012

Domingo de Eleição...


Já falei aqui, outro dia, sobre a minha insatisfação em ir votar... Não é pelo ato em si, mas as opções dos candidatos... Poucos dias atrás falei da possibilidade, nessa eleição, de anular meu voto, por falta de opção mesmo. No entanto hoje, domingo de eleição, às seis horas e cinco minutos da manhã, acordei em busca dos meus candidatos a prefeito e vereador na cidade do Recife. Como de costume coloquei água no fogo para fazer meu delicioso café e enquanto aguardava, debrucei-me num projeto de janela que existe em minha cozinha, eis que a paisagem foi essa postada logo acima... Gente, são seis da manhã de um domingo de eleição, avisto a avenida vazia de carros e congestionada de papéis desses candidatos de “Jaboatão dos Guararapes” cidade em que resido e que logo mais terei que atravessar a fim de exercer minha obrigação, não mais direito, até votar em Recife...  Aí, sem dúvidas, sou forçada a admitir, que a cada ano de eleição me convenço que política é literalmente um jogo de marketing sujo. Neste momento, algumas dúvidas, estão perambulando minha cabeça: será que estou ficando muito exigente ao sentir desejo de votar nulo? Ou, muito burra a ponto de não saber avaliar bem, apenas um, dentre poucos candidatos? Será mesmo, neste eixo, que diminuo as expectativas por culpa da minha falta de informação acerca das boas intenções de alguns candidatos, ou, ainda nesta dimensão, posso argumentar este anseio pelo o que de concreto identifico, a precariedade no atual sistema governamental?  Entendo que hoje é um dia de exercer a democracia, de sonhar com a possibilidade de mudanças, sei que o voto nulo me excluirá dessa participação, bem como a iniciativa de votar num candidato “menos ruim” caracteriza-se uma vulnerabilidade política. Bem, eu devo decidir nas próximas horas se votarei em algum candidato ou anularei meu voto, sendo esta ultima opção lamentável pela diminuição do meu direito de ao menos exigir aquilo que foi prometido. Partindo desse princípio, mais uma vez, vejo a minha balança pender para o lado da investida e confiança que tentarei doar a um desses "filhosdaputa" que prometem demais e cumprem de menos. Acho que topo colaborar com a mudança desse cenário; ao menos uma, dentre essas duas situações ocorrerão: ou surgirão novos e bons atores políticos, ou aumentaremos nossos problemas por mais quatro anos.
Espero – porque vivo e tenho esperança – que os fins “políticos” sejam consolidados pelos “meios” a que cada um desses políticos tenham se comprometido. Pois, bem sei que de boas intenções o inferno está cheio... Boa sorte, brasileiros! É disso que precisamos no momento!      

domingo, 9 de setembro de 2012

SIM! EU TROPEÇO!

Por Maria Monteiro ou Sussumonte

A propriedade com a qual vos falo, não tem a ver com o ar pedante que alguns me atribuem. Desculpem-me se utilizo de muito sarcasmo ao fazer abordagens minuciosas sobre o caos das relações humanas, mas isso todo mundo tem. Assim como também há em mim a capacidade de reconhecer “com humildade” que tomei um baita de um baque.
 Somos puramente emocionais, uns mais outros menos, e a forma como cada um lida com suas frustrações está completamente ligada com o tamanho das perspectivas projetadas em si mesmo e nos outros. Quem confia muito também exige muito, e quando a oferta não atende a demanda restam atribulações. Para dar conta das indagações, alheias e pessoais, não basta o argumento do próprio fracasso. O olhar – às vezes piedoso noutras vezes de desprezo – coage e intriga qualquer indivíduo que tenta se reerguer. Lido com meus fracassos com a mesma percepção das quedas em público. Quem aqui nunca caiu em meio a uma multidão e sentiu muito mais vergonha que  propriamente dor? As crianças são consideradas verdadeiras e elas têm muito disso, os adultos têm uma mania de fingir, e pensar que não devem se constranger e se sentir derrotados nunca. Ora, se estivéssemos reclusos numa ilha além de não haver plateia não estaríamos inclusos nesse grande jogo de perdas e ganhos que se dá à vida em sociedade. Mas a vida para muitos acontece aqui e agora, embora muitos estejam vivendo obrigados, falarei por mim: Sou apaixonada que pela vida e acho que superar é o eterno desafio humano. Reestruturar as ideias após um baque é tarefa que todo mundo que tropeça tem de fazer. Uns até se corrompem e se perdem no palco da vida; eu levanto todos os dias em busca do autoconhecimento tentando me aprimorar na condição de SER HUMANO – essa ideia de HUMANO ser um ANIMAL RACIONAL confronta e entrelaça “ A má intenção dos intelectuais espertos & As emoções dos mais sensíveis”, pois ao invés de unir os termos na semântica “AQUELE QUE RACIOCÍNA” utiliza-se da dicotomia “apesar de sermos RACIONAIS somos ANIMAIS” o contrario também ocorre – meu caminhar é lento, porém nem sempre cauteloso, muitas vezes eu tropeço. Não sei dançar, mas concordo com a frase de Fernando Pessoa que diz: temos de fazer da queda um passo de dança.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mais uma história pra contar...

Tenho amigos que me aconselham a virar a página, esta que há quase meio ano insisto em repaginar; amigos que me dizem a todo instante, anda – a vida tem que seguir – e, nesse novo caminho, vá buscar apenas aquilo que é seu. Eu por outro lado, gostaria de esclarecer: não é meramente o medo do novo, aquilo que estar por vir, que finca meus pés aqui, tampouco a dor da despedida o que retarda a minha ida. Talvez isso seja pratico, quando se avista um novo rumo, tendo ele – o rumo – um alicerce “pré-parado”, que garanta segurança além do inerente entusiasmo. Tão logo me disperso, vejo sentido na despedida – a gente só se despede daquilo que não é nosso – algo como um clarão, muito bem percebido, até mesmo por cegos... Nunca por aqueles que vedam os olhos no intuito de não enxergar.

No amanhecer dessa primeira quinta-feira de agosto, enquanto eu tomava meu café e observava o trânsito, da janela da cozinha – embora, eu tenha sentindo saudades “de quando olhávamos juntos à mesma direção” – agradeci por poder avistar, sozinha, uma avenida tão movimentada, – ainda bem que não há o vai e vem dos carros, nessa que não é uma avenida de “mão dupla” – assim, olhando os carros num único sentido, vejo que eles vão, e mesmo que amanhã, transitem novamente por ali, no retorno são obrigados a fazer um caminho diferente; mas foi num gole de café que queimei a minha língua, e não quando chorei e, novamente, admiti: tenho que ir! Mesmo que dá última vez eu tenha pensado e dito que não mais partiria.

Não tenho dúvidas, minha alma é cigana! Essa explicação, nada efêmera, se dá a muitas direções entre tantos desenganos – Bem, se não fosse por essa despedida, esse amor não seria um deles – o que me impulsiona, aliás, a agir como sempre fiz, praticando o desapego. Não tem fundamento fazer um novo e o mesmo juramento, de confiar nos homens. Se a mim mesma eu sempre repliquei baixinho: Não há mesmo aquele a quem posso confiar?! Sim, eu preciso me cuidar para não me tornar egocêntrica diante das ilusões e inocências daqueles que não possuem, nesse âmbito, experiências. Devo direcionar meu olhar, atenta, e não me tornar obsecada por verdades, afinal, que grande mal fez quem a mim foi infiel – se com atos ou omissões, todo mundo o é – eu não sou a dona da verdade; não a alheia, quanto a minha sim, mas a quem mais ela serve além de mim?

Voltando ao que finca os meus pés aqui, ou pelo menos tentava fincar, era a forte sensação daqueles dias, que embora fosse rotina, havia algo que me abastecia de alegria e relutei para que não se transformasse em lembranças... Mas o grande fiasco mesmo foi não perceber, que o homem nada mais é que o acúmulo de seus dias vividos... Ao amanhecer o dia anterior já virou ontem, e o exato não se dá às próximas horas, nem minutos, nem segundos seguintes... O que de concreto tem um homem é aquilo que ele vai deixando para trás. Sim, são as lembranças! Quanto às supracitadas, foram maravilhosas e são minhas! Melhor assim, para quem hoje descobriu aquilo que quer colecionar: “eu vou buscar boas histórias pra contar”.

terça-feira, 12 de junho de 2012

DOR

Perdoarei qualquer antagonismo que surja das subseguintes palavras, ainda mais por ser minha, apenas minha a “DOR”.

Em outra oportunidade, já escrevi a vocês sobre o tempo que se perde e o trabalho que se tem em sofrer. Não, não era tão verdadeira a banalidade que atribuí ao sentimento de DOR...

Na verdade – acredite agora – sempre quis parecer feliz, por causa do título que deram ao meu sorriso, da espontaneidade e sedução que ele transmite. E venhamos e convenhamos o meu sorriso não imuniza meu ser de nenhuma dor, aliás, o de ninguém. Seja a dor, física ou emocional sua peleja requer uma força – e, na vida, em determinadas circunstancias duvidamos ser o Marinheiro Popeye- quer seja sua – ou, extraída do espinafre – a força é o que nos faz reagir, isso parece óbvio, embora não seja fácil. O analgésico está para a dor física assim como o aprendizado está para a emocional. Hoje – tenho certeza – só dói o que precisa de remédio, ou entendimento.

 [...] num abismo, um homem resmungou de sua sorte. De instantes, sentiu eternidade... Encalhou o corpo e agonizou sua mente. É possível que tenha passado por seus pensamentos – num curto espaço de tempo – que não conseguiria desvencilhar-se, tão cedo, daquela sensação – Cruz Credo, aqui parece o fim de tudo – disse, olhando a si mesmo. Naquele momento constatou... Na dor, resignar-se não é a solução – para sair desse abismo, preciso escalar – sozinho, ocupou-se em reunir forças, ainda caído se deu conta das alternativas que lhe restavam – sempre há tantas direções a seguir – afirmou o homem, não por esperança, mas por clemência a si mesmo. Sem demora, comportou-se como um guerreiro, numa luta solitária, a ferro e fogo, soergueu-se daquele lugar. Não se pode chamar de fé o que o estimulou, – já acertei as contas com Deus – ter sido honesto lhe rendeu o melhor amuleto “o consolo” e quem não o for consigo, do mesmo modo, que não seja com os outros... Bem, o importante não é o diagnóstico do mau-caratismo alheio, mas o entusiasmo individual de quem quer sair de um buraco, quer seja pelas cordas que lhe jogam, quer seja pela trilhas que lhe restam. Avante, contudo, nunca se sabe o que irá suceder, tampouco vale lembrar o que sucedeu. É irônico, mas o corpo pesa mais sem alma; inerte...
Percebe-se a leveza da vida quando a dor faz pesar o ser.
(Maria Monteiro)

Vou agraciar meus queridos leitores, com um poema do grande MANUEL BANDEIRA, ele que soube fazer aquilo que não sou capaz, transformar “DOR EM POESIA”...

A VIDA ASSIM NOS AFEIÇOA

Se fosse dor tudo na vida,
Seria a morte o sumo bem.
Libertadora, apetecida,
A alma dir-lhe-ia, ansiosa: - Vem!

Quer para a bem-aventurança
Leves de um mundo espiritual
A minha essência, onde a esperança
Pôs o seu hálito vital;

Quer no mistério que te esconde,
Tu sejas, tão somente, o fim:
- Olvido, impertubável, onde
"Não restará nada de mim!"

Mas horas há que marcam fundo...
Feitas, em cada um de nós,
De eternidades de segundo,
Cuja saudade extingue a voz.

Ao nosso ouvido, embaladora,
A ama de todos os mortais,
A esperança prometedora,
Segreda coisas irreais.

E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo o que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.

A vida assim nos afeiçoa,
Prende. Antes fosse toda fel!
Que ao se mostrar às vezes boa,
Ela requinta em ser cruel...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

BOA SORTE!

Bem, eu não sei mais o sentido do amor, perdi a compreensão... Eu não sei identificar quando estou sendo amada, quando estou sendo enganada... Eu não sei identificar quanto tempo mais eu posso esperar, ou quando já é hora de partir... Eu não sei quais as estratégias desse jogo, eu não sei jogar... Eu não sei jogar, porque eu não sei perder, e mesmo se eu ganhar não atribuirei essa vitória a minha capacidade, mas sim a sorte. E olha que coisa mais triste eu descobri: QUE O AMOR É UMA QUESTÃO DE BOA SORTE E QUE A FELICIDADE TRAZIDA PELO AMOR É PURAMENTE CIRCUNSTANCIAL... ...Mas, viver a mercê da sorte e das circunstâncias é inevitável. Portanto, BOA SORTE!

domingo, 15 de abril de 2012

Aquele que recomeçou O CAMINHO DO AMOR, fez quando percebeu que estava indo pelo caminho errado.

Hoje eu não fiquei só. Tive um encontro com a minha fiel companheira “solidão”, ela me fez lembrar que eu nunca quis sentir um “grande amor” por outro alguém, a ponto de restar tão pouco a mim. Mas, assim se fez, coloquei outro alguém em primeiro lugar em minha vida, titulado de “Meu Grande Amor, e até, Minha Vida” a esse RELAPSO – amar DEMAIS o outro –, mesmo sem manifesto prévio de vontade própria, agradeço a minha atual diligência na arte de AMAR. Nem todo mundo que prova o amor, sabe amar. Aquele que sabe amar reconhece quando, ao invés de AMOR é DOR e logo sente vontade de parar, impedindo assim alguém, ou alguma coisa de nos causar sofrimentos. Em questão de dias, quando houver a necessidade, recomeçar será o mesmo que voltar a andar de bicicleta depois de passados 15 anos, você lembra que nunca desaprendeu a pedalar, do mesmo modo, não esqueceu a principal lição acerca do amor “AMA AO OUTRO COMO A TI MESMO” – nessa lição eu tirei dez – a máxima “AMA AO OUTRO COMO A TI MESMO” dá aos dois atos, a mesma proporção. Não diz: ama MAIS ao outro e MENOS a você, ou visse versa. Visto que, à prática “amar demasiado” é um cortejo ao abandono, pois quem se ama demais, esquece o outro, e, quem ama demais o outro, esquece-se de si mesmo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Fi-lo porque qui-lo

Sendo o comportamento do homem, alheio a estética moral, digo somente, havendo a inversão daquilo que é ético, também será irrefutável a consistência da depreciação desse homem que, absorto em suas vontades e utopias, abandona o pomar de valores e diz: Fi-lo porque qui-lo. Não há mesmo razão considerável, uma sequer, que faça tal homem visionário, reconhecer que a extensão de seus atos forma seu caráter, pois somente se preocupa com caráter o homem que, em sua essência, percebe-se habitar o mundo, e, não aquele que almeja que o mundo habite nele; ao último, paira o egoísmo e a obsolência de sua moral. Logo, desconstruir valores representa a queda de um ídolo, e em meio a esse processo não há evolução, tampouco admiração. Internamente, nascendo o individualismo, o homem não reflete, ele faz o outro refletir: um grande homem é coletivo e não singular.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

... Amar também é padecer no... Leiam

Isso pode realmente ser enfático, mas não terá relevância se você não me entender. Bem, sabe aquela dor de barriga que me dava quando criança, e ainda, sempre que fico ansiosa? É, ela voltou! Odeio que os outros percebam que você saiu e deixou a porta aberta, eles podem pensar que o amor é mesmo fugaz. E eu? Eu nem quero acreditar que o troco da padaria veio errado, que acabei pagando a mais, e por culpa da minha distração, só percebi quando voltei pra casa. Eu estou aqui numa terrível agonia, querendo lembrar aquela música que você nunca me ofereceu, mas que eu insisto em dizer que você cantava para mim. Sim, a nossa música, bem que poderia existir, certamente – mesmo sendo esta desafinada que sou – daria um jeito nessa minha voz rouca, e a cantaria suavemente pra você. Mas, ou os meus estímulos estão adormecidos, ou me faltam memórias para recordar. Eu sou tão medrosa para fazer apostas, e se ganho ou perco, meu bálsamo é o meu tesouro. O que eu queria mesmo era saber se você também sente esse aperto no peito, porque eu não consigo identificar se em mim ele existe por te amar demais, ou por desconfiar que já não seja amada. Eu gosto de estar sempre certa, mas nesse caso eu não me importarei em ser a errada. O amor nem sempre vai "de vento em popa".

domingo, 20 de novembro de 2011

Quinze minutos com você...

O dia amanhece e sempre que retomo a leitura do livro da noite passada, o livro que esta lá, sobre a cabeceira, ou mesmo no chão do quarto, eu sempre preciso reler as duas últimas páginas. Mas já são 7h15 da manhã e eu sei, reservaremos os próximos quinze minutos para o nosso abraço – e não é bem um abraço, é aquilo que precede nas manhãs dos amantes – porque o dia às 7h15 da manhã sempre parece que será longo, assim como nossas pestanejadas e bocejadas. Quinze minutos é nada durante o dia, mas até as 7h30 eu e você aproveitaremos muito desse tempo. Os beijinhos nos olhos: os meus, depois os seus; minha voz sempre rouca; minha preguiça matinal, isso parece normal/até você vir/ bem mais disposto que eu e me convidar a levantar, ganhar o dia... Por mim esticaria sempre mais alguns minutos, até você levantar e eu perceber que de fato a cama fica sem graça sem você. Mesmo que você tenha decidido empurra a cama até a parede, por medo de cair, mesmo com esse habito horrível que eu tenho de empurrá-lo pra fora da cama, acredite, eu quero você nela. Dormindo, acordando, descansando... Porque isso é tão tranquilizante pra mim, assim, sem buscar, você já está aqui.
E você levantará primeiro que eu, eu vou de café, você não gosta de café, você gosta de mim.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Aquele monólogo...

por Sussumonte

Dificilmente conseguirei expressar, com segurança, essa dor que, de vez em quando, aparece e teima em, entre o meu ensolarado ser, querer ficar.
Num parâmetro analítico, a criatura que vos fala, já recebeu alta das sessões de psicanálise... Sim, às teorias tão perfeitamente aplicadas ela foi excelente, e, diante a facilidade que tem de conjecturar seus piores momentos, denominou-se, inclusive, essa mesma criatura, um ser, demasiadamente calculista.
O monólogo a seguir, é antagônico a atual retórica da autora.

[...] Saudade da Moça

Ah, minha doce e linda Maria Monteiro
Meu verso hoje será infeliz, se comparado a tantos outros que te fiz.
E irás me perguntar
Qual foi a má impressão que te causei?
Queres mesmo saber?

Quando tu me davas orgulho era mais fácil!
As flores tinham mais cores entre a nossa vida amena.
Não precisa me lembrar que te pedi um pouco de harmonia,
É que esquecestes de uma vez do contraste.
Bela criaturinha café com leite, isso sim, foi no que te transformastes.

As tuas perguntas são tão engraçadas,
Qual é o teu “sei” entre os nossos fracassos?
Pois bem!

Sei daquela dor de cotovelo que fortalece nossa vaidade,
Sei daquela frustração que acabou com a nossa auto-estima,
Sei daquele medo que acolheu a nossa covardia,
E em meio a tantos, também sei daquela renuncia que abandonou a nossa alegria.

Lembras daquela nossa promessa?
A de não nós afastarmos tanto.

Eu estou aqui,
Por trás do teu reflexo
E, até quando tu vês apenas sombras.

Ah, sim, tu?
Tu te afastes de mim!

Tu não te regozijas,
Tu não choras, não lamentas,
Tu te calas.
Não me chamas...
Tu não falas mais comigo no espelho.

Agora eu que te pergunto:
Por que pintas o mundo nas cores que não te agradam?
Há méritos pessoais na satisfação daqueles que são incapazes de te compreender?

Moça de cabelos compridos, de sobrancelhas grossas,
De sorriso largo, e de olheiras profundas
Não te afastes de mim,
Volte aos braços do teu eu!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

... Se falsidade ou nobreza.

O maior defeito que um ser humano pode ter, em minha opinião, é a falsidade. Os outros defeitos são argumentáveis e tão facilmente compreendidos, se encaixam em: todo mundo erra... Mas a falsidade, não tem outro respaldo senão “a falta de caráter”, e não ter caráter é algo tão terrível ao meu modo de ver o mundo, que fico sem saber perdoar. Não sei perdoar traidores, não sei conviver com esse tipo de gente; e logo eu que perambulo pelo mundo, sobre esse aspecto, perco meus poderes de camaleão; sou Sansão sem os cabelos. Não sei viver entre cobras, porque não sei nem fingir ser uma delas. Alguns seres humanos procuram riqueza, poder, fama... Outros vivem a procura de sentimentos grandiosos como o amor, a felicidade, a harmonia... Eu procuro a nobreza. Não há anseio maior em meu ser: Eu quero ser cada vez mais nobre!
Ps.:O texto ficou sem título, porque não sei o que melhor lhe cai, ...se falsidade ou nobreza"

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ponto de equilíbrio...

Nas manhãs desse meio-inverno, sento-me à beira da cama e me pergunto: será que o sol virá? Os dias cinzas, (já falei deles antes), são chatos. Andando de um lado pro outro do quarto, com um ar de melancolia confesso: eu me encolhi. Como quem se encolhe com medo na cadeira do dentista (eu-não-sou-assim), como uma mola antes do salto, como uma lesma na hora de sua morte. Esqueci meus méritos de boa conselheira, outro dia lembrarei que eles existiram. Eu queria ignorar, como já fiz antes, a falta de sinceridade das pessoas e simultaneamente me sentir gigante como o “João do pé de feijão”; por ser honesta, por ser eu mesma.
Perplexa, talvez sem nexo. Supracitada “eis a criatura por um triz”.
Evidentemente estive em pedaços. Dias atrás engoli um sapo, tardei essas palavras, por causa do estômago. O estômago? Sim, ele não aguentava mais o álcool, nem as conversas furadas tão... “filantrópicas”.
O importante é que passou. Busquei o ponto de equilíbrio. Voltei pra academia, voltei a escrever e agora que a tristeza se afastou de mim tenho a certeza que nenhum estado é permanente, esse é o normal da vida, ela tende a voltar ao normal.
Com o espírito mais elevado, eu revelo: Não vale a pena acentuar nosso antagonismo (fruto de um amor paralítico), nem dedilhar acerca de sepultamentos. Sobre as coisas que eu tinha pra dizer, não farei confusão:
Naquela quase esquina, a que nos fez esbarrar e nos conhecêssemos
Seu Arthur, o dono da mercearia, lembrou-me bem: cuidado menina, pra quê a pressa?
Da mercearia, na esquina se via faísca, eu ao seu lado e você ao meu
Arquear, eu avisei ao coração.
Eu era boba, bem inocente e tinha um coração...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Saudade com um S bem grande...


Em mil novecentos e bolinha completei quinze anos, naquele mesmo ano minha primeira melhor amiga foi morar em “Salvador”, a saudade é bem parecida com a solidão porque nós nos sentimos sozinhos mesmo com tantos a volta. De lá pra cá eu conheci muitos amigos e a escala de primeiro ao último marca apenas o tempo em que os conheci. Não há uma importância maior entre eles, mas há uma coisa que os diferenciam, o tamanho da saudade; de você eu sinto mais!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Afiando as garras


É bom classificar, afinal um rio é um rio, mas nem todos correm para o mar, os rios afluentes deságuam em rios principais; o mundo é mundo, mas nem sempre é redondo, para alguns o mundo é bem quadrado. As bromélias possuem flores de aspecto selvagem, e as rosas possuem espinhos, elas nem sempre machucam. Eu sou um ser humano, mas não minto – só um pouco –; os gatos afiam suas garras, eu também.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O coração...

Quem dera tivesse criado este texto como tantos outros foram criados, para transcrever pensamentos, apenas pensamentos. Um mero ponto de vista. Mas, nem rabiscando o papel, tampouco o jogando no cesto de lixo, conseguiria fugir da infeliz constatação, o meu amigo Zeca tem mesmo razão : o coração é terra de ninguém.

- Essa idéia, rodopia em minha cabeça, mais que matuto em porta giratória de banco. Vai e volta, vai e volta. São quase duas da madrugada, eu preciso dormir mais cedo, precisava!

Um verso:

Por trás desse verso que enfeita, há um inverso triste.
Um fundo sombrio e empoeirado
Um cenário nunca antes habitado, solitário
Um plano esquecido, abandonado...
O coração...
O meu coração é terra de ninguém.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Acerca do Perdão.

Perdão. Dar ou pedir é um ato incondicional, até porque a capacidade de reconhecer erros, e ou, se magoar (hipoteticamente ou não), são coisas inerentes ao ser humano. Eu, por exemplo, tenho muita facilidade em perdoar mesmo quando não há pedido de perdão. Outras pessoas, pelo visto, lidam com o perdão como quem guarda numa caixinha, antigas entradas de cinema e papéis de bombom. E ao revê-la, vez por outra, devem mesmo pensar: essas entradas de cinema, são antigas, já não servem mais, e esses papéis de bombom, quais outras serventias teriam se não a de invólucros para balas tão adocicadas? E o perdão, a quê serve? Uns, guardam, inulitizam. Outros o usam na hora certa. Incondicional é o ato, porque a capacidade todos nós temos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Uma tragédia...

Eu, numa situação constrangedora, lembrarei de ser espontânea; bem pé no chão. É provável que vocês, caros leitores, sintam estranheza no meu modo de falar, mas a minha constante “sutileza” favorecerá a “discrição”. Cá estou eu, nesse fiasco. Quem sabe “eu” consiga esclarecer:

Não, eu certamente não saberei esclarecer utilizando imagem!
- Depois disso, será mais fácil, subscrever as minhas entrelinhas, eu tava aqui pensando num romance trágico. Algo bem do tipo “Romeu e Julieta”. Gostaria de falar do amor “irracional” entre um homem e uma mulher, porque de outro modo não vale, não vale o amor brando, não vale a brandura do amor, mas sim o quão avassalador ele pode ser. Também não vale ter um final feliz, desse modo segue mesmo a tragédia. Quem sabe remonte a antiguidade , aliás, deve mesmo remontar a antiguidade,afinal nos dias de hoje não se morre mais por amor. Eu não sou feminista, mas não escreveria um romance que não tivesse no “mínimo” sofrimentos nivelados, se bem que no meu romance trágico o Romeu terá que sofrer mais – nada pessoal – apenas pra explorar a utopia desgarrada da minha mente. Haverá sussurros para os corpos que se queimam em desejos e murmúrios para o medo. Sim, disso não poderei esquecer: o medo e a covardia – explorarei esses dois grandes vilões – eles vencerão o amor. Particularmente encontrarei dificuldade em definir um tema específico, pois ao entrelaçar o AMOR e a DOR terei sem duvida um enredo complexo.
O que não se pode dizer com palavras
O que já se sabe através do olhar
Aquilo que é indeferido, indecoroso
O limite da alegria
A dor no calcanhar
Tudo o que impede a partida
O deserto que nos obriga a ficar
Aguardem...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Recordando

Afim de recordar a mim mesma, postarei novamente o texto "Aos cuidados do Senhor da Vida". Lamento não ter tempo para me dedicar ao que mais gosto de fazer: escrever. Nesta semana que se vai eu escrevi: A vida vai tão rápida! De fato, voando...e eu nesse jato... Bjs!

Aos cuidados do Senhor da Vida


Peço que cuide dessa moça, a moça de cabelos compridos, e sobrancelhas grossas. De sorriso largo, e olheiras profundas. Considerando seu aspecto físico algo amanhã “mutável”, é preferível que eu me refira a essa moça pela essência que caracteriza seu ser. Procurando a melhor semântica, a inserção do termo “aquela cativante”, perpetua a quem retrato.
Cuide de seu jardim. E pode-se já antecipar, ela cuidará de seus lírios, de um a um regará. Não é ostentação de minha parte, afinal seu avesso conhecemos bem, ser gentil é, a vocação primeira dessa dama, deliberadamente afável.


[...]- Olá! Boa parte, das pessoas, pensa que falar de si mesmo é tarefa difícil, eu não acho! A dificuldade está em percebe, a relação que você tem, com o mundo a sua volta. Essa relação é seu espelho. Hoje escolhi falar de uma virtude evidente em mim, isso não afugenta meus defeitos. Na verdade a origem desse texto veio de um questionamento: - Por que tenho tantos amigos?
- É comum, que você tenha muitos conhecidos, é comum que você tenha uma grande quantidade de pessoas a sua volta. O que me aconteceu – e, não estou reclamando – foi o reconhecimento de uma frase, que soa irônico, repetitiva até. Vem de toda parte daqueles que me conhecem - Você está Sussumida! - Essa afirmação de meus amigos deu origem ao meu questionamento e parando pra avaliar, a resposta veio em seguida. - Tenho facilidade de fazer amigos porque sou cativante, e cativo as pessoas por causa do meu jeito afável, gentil de ser. Afinal Gentileza é Indispensável!
Quanto à frase que tenho escutado de meus amigos formadores dessa opinião, é assunto para outro texto, o qual, falarei de um, ou até mais, dos muitos defeitos que possuo, entretanto, espero corrigir a má impressão e para já diminuir a distância entre vocês e eu, fiz esse blog. Funciona como “A Tenda da Sussu”, uma vez falada antes, para alguns (pobres coitados), que resolveram seguir meus conselhos (rsrssrs).
Como uma forma de inicializar, fiz essa oração em gratidão, e incluo agora, sua finalização:

... Quem intercede essa oração hoje, é a moça de cabelos compridos, e sobrancelhas grossas. De sorriso largo, e olheiras profundas. - Se peço que cuides dela é porque sei também que em suas orações, são incessantes os pedidos de proteção, e os agradecimentos que ela o faz em cada novo amanhecer...
- Obrigada Deus, pela vida que me deste, por minha família, meus amigos, meus filhos! Proteja-os para todo o sempre.

Amém!

See you later!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A admiração...

A admiração é um sentimento fantástico. Se alguém me perguntasse, não saberia responder a ordem exata daquilo que se adquiri quando um ser passa a admirar outro. Também não acredito que exista ordem, ou que a ordem possa interferir no resultado. Quando o assunto é admiração, há um conselho indispensável: cuidado com aquilo que você admira. Eu acrescento outro: cuidado com você, quando deixar de admirar algo.
Cá pra nós, é sabido que estamos em constante mudança. O mundo muda, mudamos também. O espelho é um só quanto aos reflexos... Sugiro: analise aquilo que você quer seguir e quando seu anseio for abandonar algo ou alguém, analise a si mesmo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Todos estão surdos...


Por Silvio Melo

Hoje pela manhã reli uma carta antiga e me emocionei bastante
Uma carta de um homem bom falando de coisas boas
Uma carta bonita com uma mensagem simples
Mas que estamos muito longe de entendê-la completamente
Nessa carta meu amigo Paulo fala da "causa primeira" de tudo.
Que hoje em dia é deixada por ultimo ou totalmente esquecida.

"É paciente e prestativo; não é invejoso, não se ostenta nem é orgulhoso, nada faz de inconveniente. Não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça mas regozija-se com a verdade: tudo desculpa, tudo crê, tudo espera,tudo suporta " Disse Paulo".
Essas palavras de Paulo me alegram e entristecem ao mesmo tempo.
Tais palavras já foram ditas tantas vezes(talvez não as mesmas), por outro homem bom que na hora em que a carta foi escrita não estava ali fisicamente,
Mas estava presente "tenho absoluta certeza".
Nosso outro amigo lutou sua vida inteira contra as injustiças sociais, raciais, religiosas...
Lutou contra toda forma de preconceito e desigualdade.
Mas foi morto injustamente pelas mesma pessoas as quais veio esclarecer.
Sua mensagem não foi entendida e até hoje continua deturpada e completamente manipulada.
As mesmas coisas que foram severamente combatida por "ELE" agora são justificadas através de manipulações da sua mensagem.
Foi isso o quê me fez entristecer na carta do nosso querido Paulo
"A carta" fala dessa coisa simples em sua essência mas muito complicada na prática.
E nós complicamos tudo, sempre!
"...E de pensar nisso tudo... eu..., homem feito, tive medo e não consegui dormir..."

A mensagem mais bonita saída de boca de um homem!
SENHOR O QUE FIZEMOS COM ELA?
"PERDOAI-VOS, POIS ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM..."
Deixo minha prece em forma de uma música antiga:
[...] Mas meu amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo.

REALMENTE ESTAMOS TODOS SURDOS!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sete "ViDas"...

Dois gatinhos
Sete aninhos...
Há de se doar, mesmo sendo minha a recompensa...

Kaká e Escondidinho de Charque,(parabéns amanhã e sempre).
Love Mom!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Novamente patavinas... rsrsrs

É comum ouvir que os grandes escritores (poetas) se inspiram em momentos de tristeza, nas grandes tribulações. Eu não devo mesmo ser nem escritora, nem poeta. Porque não consigo fazer poesia com a minha dor, tampouco consigo raciocinar diante de problemas. Gosto mesmo é de escrever quando estou bem, quando estou em paz. Hoje, e há alguns dias, alguns leitores deste espaço, questionaram a minha ausência: descaso; abandono; felicidade em excesso?
A Srta Sabe Tudo aqui,– antes quero pedir desculpas! – informa: pra quem gosta de ler minhas bobagens, alegrem-se vocês não estão órfãos, pelo menos por enquanto! O motivo do desaparecimento é simples: curei minha insônia e com isso descobri que 24 horas já não dão mais para patavinas nenhuma, se alguém puder aumentar umas seis horas do meu dia eu agradeço. Falar com Deus, pedir sabedoria, pra administrar melhor o meu tempo ou então devolver minha insônia. Odeio quando não sobra tempo pra fazer as coisas que gosto e meus dias têm sido assim. Durante esse período que estive ausente escrevi alguns textos, porém não foram aprovados pela edição “crítica” da administradora deste blog: a Srta Sussumonte. Segundo ela, o conteúdo era pessoal demais... (risos).
- Bem, aos meus amores, deixo aqui minhas desculpas!E, embora não vá assumir compromisso semanal nem mensal, aviso: estou viva e tentando encontrar um ponto de equilíbrio durante esse tempo.
Love, Su!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Nada em mim

Eu esperando o trem
E o trem indo
Eu esperando o trem vindo
E o trem já partindo

Eu esperando naquela estação
E a estação?
Era eu quem deveria mudar...
Não vem o trem, não é a mesma estação
Não mudou nada, nada em mim.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Só de Sacanagem.

Por Elisa Lucinda
Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!
Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!
E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.'
Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.
Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'
E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Anselmo disse adeus...


[...] Matou e morreu; exatamente nessa ordem Anselmo disse adeus: aos fatídicos dias, sim – aos dias que deixavam à mostra suas mazelas –, uma rotina ruminante; sem aparente clemência e sem direito a romaria.
Em seguida a notícia de sua morte, encontrei-me chorando. Digo-lhes, com competência para isso – a morte daquele que desde cedo se matou, escureceu meu dia – eu não esperava que sua morte chegasse assim. Sentirei saudades, porque a juventude é sempre saudosa. Mas lamentarei o desperdício do futuro, a trajetória sem frutos, a estrada vazia... Talvez sua redenção me confortasse: apagaria as dores que sua insanidade causou – Minha mãe, minha irmã, baixem os escudos, pois a morte já é a certeza do amanhã e mesmo depois de acreditar, ainda assim, haverá uma lágrima se não agora, num outro dia perto ou longe daqui – falo como se pedisse indulto ao falecido Anselmo. Pois é! Como podem perceber, este texto é tão pessoal quanto a minha dor – preciso explicar isso – estou tentando falar de uma dor esquisita: lamento a morte de um jovem de 36 anos de idade; ele participou da minha vida; foi meu cunhado durante mais ou menos 13 anos, e ex-cunhado nos últimos 6 anos. Depois que eles acabaram o relacionamento – digo, minha irmã e Anselmo –, nossa família não teve mais contato com ele, somente com os vestígios que ele deixou. Desculpem-me, mas não pretendo dar mais detalhes da participação de Anselmo em nossa família, relatarei apenas a última notícia que chegou: a de sua morte. Ele usava drogas e por isso: minha irmã sofria; minha mãe também; a mãe dele muito mais – meu Deus, a mãe dele, essa sem dúvidas foi quem mais sofreu – enfim, todos os envolvidos sofriam. Quem já conviveu com usuário de drogas, sabe do que estou falando, nesse caso, a morte sempre pareceu secundária a sua própria existência – eles parecem fetos abortados, presos em vidros, como aqueles das feiras de ciências que havia no colegio – se bem, que vocês não saberão ao certo o motivo da morte dele, nem mesmo eu sei. A exatidão que tenho é da vida vã que ele teve, no compasso de seu estigma, durante os anos que participou paralelamente da minha vida, e nesse período sim as drogas eram freqüentes. E é sobre isso que escrevo.

NO COMPASSO DO ESTIGMA

A morte vem lenta, deita.
No compasso do estigma,
Esquece, lembra,
Dorme, acorda.
Ergue, pinta as paredes.

A morte chega, paciência.
Matou e morreu,
Exatamente nessa ordem Anselmo disse adeus.
No compasso do estigma, apagou, acendeu
Ascendeu, apagou
Apagou
Apagou.

- Ouça-me:
A queda sem luta é uma vida sem glória.

Ache a luz, fique em Paz!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aonde está você agora além de aqui dentro de mim...


Passados 14 anos - já imaginava antes - a saudade impetuosa revelaria a ausência, a insubstituição da admiração de um ser vivo, agora Mito. Ele me deu duas armas, uma pra cada mão, apontadas em duas direções. Uma mira o sistema, a outra o desamor. Atiraria no podre mundo que avisto, sem dó nem perdão. Seria um tiro bem no meio da testa, o que mais resta a essa terra cheia de fome e desolação. Eu recordo às vezes que meus olhos, olhos de jabuticabas brilhantes, avistavam pela primeira vez seus versos, e ainda aos meus ouvidos, o som de sua voz. Ainda ouso escrever coisas bonitas, falar de amor... Na estante da sala há livros guardados, livros não lidos, há ainda aqueles lidos apenas pela metade. Não foi assim com seus versos, não foi assim com suas músicas, e não haverá de ser! Por isso, a constatação: perder você; Não! Eu não diria isso, mas encontrar você; sim! Encontrar você em mim. "E mesmo sem te ver acho até que estou indo bem". Aonde você estiver, se puder, saberá: aqui há uma or

Objeto do Desejo


Depois do último encontro, não passou muito tempo – no que se refere a anos –, ela percebeu que estava sozinha, sentada no chão da sala – lembrou que já se sentiu assim antes – olhou para os quatro cantos – era por volta das 21h00 – não viu nada, não viu ninguém. Resmungou os sapatos apertados – tantos calos –, na flecha da luz que atravessava a janela fixou seu olhar, e foi se distanciando daquela cena, entrando em seus pensamentos, deitou-se ali mesmo, adormeceu e sonhou – nada do que for dito daqui pra frente aconteceu – sonhou que estava numa espécie de bosque – eram árvores floridas que nas alturas se cruzavam e deixavam um estreito caminho – um dos cenários mais belos que já pode sentir:
- Levanta-te e vem comigo, tira o invólucro, aqui não há desejo proibido – disse aquele –objeto do desejo – que já havia muito a aguardava ...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O amor me dá dor de barriga.

A dor na barriga voltou, o estomago mais parece um papel embrulhado, uma bolinha. Dor de barriga violenta, falta de apetite...
Se o amor dói, essa é a dor de amor que sinto... Não é o coração que dói, ao menos não é de lá que vem a minha diarréia. A comida não entra por causa do nó que há na garganta. Estou sem óculos e sem colírio, mas consigo coçar freneticamente os olhos até ficarem bem vermelhos e com isso disfarçar as lágrimas. O amor dói, o amor me dá dor de barriga.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

É saudade, então...

Eu espero que você não se sinta só essa noite
Porque apesar de estar longe, eu penso em você
E se na hora de dormir lembrar de mim; lembrar dos nossos bons momentos...
Então, lembre-se de vencer a solidão
Eu ficarei contente em saber que você foi dormir sorrindo e não chorando
Deixe que a saudade lhe faça companhia,
Eu, ainda, peço: expulse a solidão! Ela não encontrará paradeiro entre nós.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2


Ontem assisti Tropa de Elite 2. O filme é muito bom, excelente! Aguçou ainda mais o meu desdém ao nosso sistema.
Brasil, hora de acordar!
Recomendo o "filme TROPA DE ELITE 2", um "FRAGA", e, um "CAPITÃO NASCIMENTO" a todo o Povo Brasileiro!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu, “Pseudocidadã” Brasileira.


Ontem à tarde – será melhor enfatizar-lhes: fim de tarde – saí às ruas para exercer meu direito & obrigação de votar. Verdade seja dita, ainda não tive a convicção que fiz algo prazeroso – nem tinha motivos para tanto – e apesar de não ter encontrado motivos para votar com satisfação (um pouco que fosse), deixei o perrengue de lado, e, imaginando a minha participação num sistema *Democrático Representativo (vide bula), votei!

Embora eu tenha o direito de expressar minha opinião, revelando o nome de cada um dos meus candidatos, ainda assim, não darei nomes aos bois. Não, não direi quais os candidatos tiveram o prazer de receber meu voto. Até mesmo porque, na atual democracia que vivemos, “esses” são fatores irrelevantes – acreditem em mim – A ORDEM DOS POLÍTICOS NÃO ALTERA O RESULTADO - por uma razão simples: os cidadãos brasileiros, não de um modo generalizado, mas a maior parte, são “politicamente analfabetos”, quer seja por comodismo, quer seja por inacessibilidade de conscientização política. Este fato justifica a percepção, e, revisão flutuante da nossa constituição. Na verdade, desde cedo, deveríamos receber orientações sobre a “verdadeira cidadania” o que nos garantiria seu exercício: tomar consciência dos direitos e deveres.

Comparação

*[...] Numa Democracia Representativa, (atual pseudo sistema governamental brasileiro): elegemos nossos representantes e governantes. Sendo eles, integrantes do PODER LEGISLATIVO (aqueles que fazem as leis e votam nelas – deputados, senadores e vereadores) e do PODER EXECUTIVO (administram e governam – prefeitos, governadores e PRESIDENTE DA REPÚBLICA).

É preciso ao povo sair desse estado de alienação e desenvolver uma posição de cidadão. É preciso “urgente” correr atrás, conhecer os direitos ja estabelecidos e quando for “absolutamente necessário” solicitar alterações ante a realidade atual.

Política é ou não é um assunto chato? Quem é o culpado, e ou, responsável por você pensar assim?

Fé em Deus no segundo turno !

... Acabo por aqui por causa do sono! Boa noite, melhor, Bom Dia!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Lá vou eu pro fim do arco-íres!

A primavera chegou e com ela as cores, os perfumes – não, não se trata do novo perfume da O Boticário – eu apenas queria flutuar até alcançar as flores do flamboyant.
Particularmente, isso não é tão importante pra vocês, eu apenas gostaria que entendessem...
Quando a minha mente, de sonhos, inflar; quando eu quiser voar; quando eu quiser morar no fim do arco-íres; quando eu não mais me importar em usar roupas démodé ; quando eu tiver coragem e confessar que nunca tive medo do HOMEM DO SACO – verdade! Eu tenho CORAGEM! Sempre desejei ter participado da Segunda Guerra Mundial apenas pra arrancar, destemidamente, aquele bigodinho ridículo de HITLER –; quando eu acionar minha realidade “alternativa” e simular a felicidade generalizada – apenas me digam que a mente humana é algo tão, tão relativo – não me enganem, não vão querer me interna, vão?!
Na mente não há utopia, fora dela é que há confusão! Eu vou sim, flutuar até alcançar as flores do flamboyant.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sorria você está sendo filmado

Falácia do espantalho – pra quem não sabe – é um argumento informal baseado na representação enganosa das posições defendidas por um .oponente. Uma falácia do homem de palha pode ser de fato, uma técnica de retórica bem-sucedida (isto é, pode conseguir convencer as pessoas) .

Não Piter, não sou eu ali! Eu apenas observei o aviso que diz: SORRIA VOCÊ ESTA SENDO FILMADO! A verdade é que aqui dentro, não faz muito tempo, meu coração de pedra foi estraçalhado. Você sabe Piter, eu não gosto da minha tristeza, tampouco da sua cara de alegria. É difícil assumir o egoísmo, eu sei, mas com você, eu sinto prazer em ser! Eu gosto de pensar apenas em mim, eu gosto de antagonizar meus sentimentos, porque eu descobri que é fácil fingir, difícil é assumir – Piter, isso eu não farei – eu não vou assumir que perdi pra você. Eu vou continuar observando o aviso e recorrendo a falácia do espantalho. Eu vou voltar a escrever meu livro, tentando sempre outro enredo, que não seja esse, o seu!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Quando a situação está tão estável, e você fica apática...

sussumonte disse (13:38):

- Tô bem, também!

donadanny diz:

- Bem vc está eu sei!
Mas tenho saudade da minha amiga sussu animada!
Faz tempo que não sinto vc animada com alguma coisa...

sussumonte diz:

- Trata-se da situação... Não do ser.
É questão de movimento!
Se não há...
Não dá pra sambar sem samba, entende?!

InternaMente...

*[...] Um coração só e vazio
suporta qualquer tempo...

Lá naquela ilha chamada solidão, habitava um naufrago. Um homem forte, guerreiro...

Ele lutava,

Quando havia folhas no chão...
Quando a tempestade caia...
Quando as borboletas o visitavam...
Quando o sol queimava.

Sabia estar só, a soma dos dias aumentava o vazio.
Não houve um dia em que ele não lutasse

- E contra quem o homem lutava?

Contra a ilha chamada solidão?
Contra as folhas?
Contra a tempestade?
Contra as borboletas?
Contra o sol?

Ainda,
Contra ele mesmo?

*[...] Um coração se assombra
com o vulto da própria sombra...


* Versos colhidos no cajueiro.
http://fredcaju.blogspot.com/2010/08/estacoes-e-coracoes.html

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Verdades & Relatividades

Talvez, esse texto lhe caia como uma “CONVERSA PARA BOI DORMIR”...

Estava eu, com minhas olheiras, e os pensamentos localizados na parte interior, acima das minhas sobrancelhas de Frida kahlo...
Era acerca de verdades & relatividades que eu pensava.
Embora não tenha ressaltado, outrora – num sábado a tarde – debatíamos: eu; alguns amigos; as taças de vinho tinto e branco; as cervejas e cigarros – para os que, faziam uso – Havia ainda o lustre de $$$$, à meia luz, quase a cair...

- Nayana, sobre aquilo que falei a cerca da verdade / a impressão que tenho de ela ser absoluta./ Ora, pairam algumas dúvidas:

Se não há verdade absoluta, então não há verdade! Logo, tudo na vida é relativo.

Se há verdade, então ela não é relativa, é absoluta! Logo, nem tudo na vida é relativo.

Não vou explicar, porque isso mais parece questão de raciocínio lógico, basta a confusão dada a tarde acima citada.

- Nayana, juro que ainda ando pensando a respeito!

Ando pensando na relatividade dos fatos, melhor dizendo, nos fatos relativos! Afinal, a teoria que tenho de a verdade ser absoluta, é uma visão, por exemplo, que alguns não conseguem enxergar.

Opiniões são, sempre, relativas aos fatos!

Há,de se equiparar verdades absolutas a fatos relativos. Pois evidenciamos variações sofridas, aplicadas às verdades, como mutações decorrentes no processo de evolução humana.

Quanto a veracidade absoluta, nos paradigmas “existentes”, numa sociedade atual, será sempre incontestável!
No entanto, serão eles/os paradigmas/ temporais (relativos). Sim! No que se refere ao processo de variações “existenciais”.

Se é que me entendem... Melhor parar por aqui, antes que eu perceba existir relatividade na minha verdade!(Risos)...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Breve

As crianças correm pelo campo, parecem felizes – bastaria isso – uma parte do meu esforço recebe a recompensa, a outra lamenta. Aprendi: toda bifurcação requer renuncia, e toda escolha é uma estrada. Com o tempo, eu espero que elas entendam, renovarei nosso lar...
Deus comigo!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Meu ódio por você

Sabe aquela pessoa que tira de você o que você tem de pior? Aquela pessoa que gosta de brincar com fogo, que parece ter por objetivo desviar você do caminho correto. Que alimenta um ódio, que sinceramente você não faria questão nenhuma de sentir, porque você sabe, já leu isso em algum lugar: ódio aumenta a probabilidade de adquirir tumores cancerígenos.
Enfim, nessa idade eu descobri: sempre tem alguém que tira você do sério! Descobri também que isso é mais comum do que eu imaginava, descobri que a cadeia está cheia de pessoas ditas normais, pessoas que não teriam coragem de matar uma formiguinha sequer, mas perderam a cabeça, pois o ódio fez a razão ir pro espaço.
Daí, sem outra saída surge a necessidade de você falar com aquela pessoa estúpida, aquela pessoa que tira você do sério... Você liga do celular no modo confidencial pra desviar a repulsa inicial, mas quando diz alô é logo reconhecido e a palavra seguinte é: - Diz! / Vem a sua afirmativa intuitiva, pra extravasar a sensação de nó na garganta do sapo que você terá que engolir: PUTA QUE PARIU!
Eu tenho uma boa sintonia com a natureza e com o mundo animal, eu até aprecio os cavalos, não de um modo geral. Constato que os gestos e expressões de um CAVALO BATIZADO me assustam, ou melhor, irritam-me.
Eu consigo manter meu senso de humor estabilizado para todas as outras coisas, porque de fato já é algo inerente, mas quanto a você: eu tento lembrar que odiar faz mal, mas não sei como evitar, não sei como anular meu ódio por você. Sei que passarei alguns dias, ainda tentando; amenizando essa vontade de evaporar você.

Aff!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Motivos para você, torcedor...

Coincidência ou não o “polvo macumbeiro” previu a vitória de Fernando Alonso ontem no GP da Alemanha de 2010 (risos). Calma isso não é um fato confirmado, mas... O Brasil conquistou o nono título da Liga Mundial e isso sim, não foi previsto. Cala-te boca!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Copa 2010...


Francamente, eu não sei o que é pior pra se acreditar: Num polvo macumbeiro “praticamente um Chico Xavier”, ou, numa copa previsível e comprada. Será que tudo isso foi verdade, ou eu estou exagerando? Contra fatos não há argumentos! Deve mesmo, ser minha dor de cotovelo, ainda brasileira. Uma coisa eu garanto, pra eu acreditar nesse polvo, não duvidarei mais das sereias e do boto que vira homem.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

CARAPUÇA...

Hoje eu não aconselho a ler esse texto, pessoas que não gostam, por alguma razão ou não, de mim.
Tenho uma imagem a zelar e por isso antes das próximas palavras ressalto o ato com um pleonasmo em negrito: esse texto foi feito “exclusivamente” para os que me conhecem e me amam.
Desde a última terça feira (29/06/10), quis me dedicar a uma representação textual sobre “eu & meus amigos”. E como é sabido, tenho uma grande dificuldade quanto a isso (risos). Mas, a vontade permaneceu e, somente no intuito de alimentar a peripécia, é que resolvi ceder à gestualidade colocando a carapuça: Eu não mereço tanto!
Eu me considero uma privilegiada, pois além de ter muitos amigos eles são especiais e inteligentíssimos. Isso fugindo, é claro, da regra onde “os opostos se atraem”. Tenho sorte, eu sei, ao repelir os energúmenos de plantão – cá pra nós – comigo, só tem sangue bom! Ninguém se torna meu amigo por acaso, é uma adesão acertada e assertiva sem trocadilhos.
Há, particularmente, uma opinião unanime entre meus amigos, – você entendeu o que está escrito em negrito novamente? Instruções: se você entendeu continue lendo o texto, se “não”, por favor, vá para o último parágrafo do texto; se insistir em ler, eu garanto, você não entenderá as próximas linhas – para eles, sou afável, cativante, criativa e de língua muito afiada “podendo inclusive ser hostil quando, devidamente, necessário”. Para mim, opiniões como essas, dentre outras que possam surgir “desde que”, vindas de pessoas que realmente me amam, servem para suprir minhas pautas autocríticas e, garanto a todos, as demais além de infundadas nutrem a carência do próprio autor quanto a mim. Um grande engano! Mas, nada de se estranhar, são atitudes inerentes ao perfil dos quadrúpedes.
Sim, estou irritada! E não era pra tanto, não era mesmo! Mas de uma maneira rebuscada eu tento chancelar essa ré. Não duvide, sei fazer isso como ninguém! É que, além disso, que se ler há o que se sente.
Eu costumo dá mais atenção as coisas boas da vida, por isso volto a falar: tenho muitos amigos, uma linda família, saúde, paz, felicidade... (e a reticência é para as demais não mencionadas). Mas, o bom mesmo em minha “humilde” opinião, é que apesar de ter todas essas coisas em abundância, sempre ganho mais. Talvez, porque o feitiço vira “sempre” contra o feiticeiro.
Este, é o ultimo parágrafo do texto. Portanto, que fique bem claro: Expurgo diariamente “minha pessoinha” do mau agouro!